Estudo revela expectativas dos jovens do Vale sobre o mercado de trabalho em reunião da ACIL

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A Associação Comercial e Industrial de Lajeado (ACIL) promoveu, nesta quinta-feira (6), mais uma edição da Reunião-Almoço (RA), que debateu os impactos das transformações sociais, econômicas e geracionais na empregabilidade. A palestra foi conduzida pela vice-reitora da Univates, Cíntia Agostini, e pelo gerente de marketing e relacionamento da instituição, Daniel Wallerius.

Durante o encontro, foi apresentado um panorama sobre o envelhecimento da população no Vale do Taquari e os resultados de uma pesquisa realizada com cerca de 7 mil estudantes do Ensino Médio das regiões dos Vales e da Serra, apontando o perfil, os hábitos e as expectativas dos jovens que estão prestes a ingressar no mercado de trabalho.

Cíntia Agostini destacou que o Rio Grande do Sul e o Vale do Taquari vivem um acelerado processo de envelhecimento populacional. Segundo dados do Censo 2022, o Estado possui 115 idosos para cada 100 crianças, enquanto o Vale apresenta um índice ainda elevado. Para a economista, a sustentabilidade dos negócios dependerá da qualificação da nova geração e da preparação das empresas para essa realidade.

Ela também chamou atenção para os desafios da educação básica. Dados de 2024 indicam que 94% dos estudantes da 3ª série do Ensino Médio da rede pública gaúcha estão no nível básico ou abaixo dele em matemática, e 76% apresentam o mesmo desempenho em língua portuguesa.

Na sequência, Daniel Wallerius apresentou os resultados da pesquisa comportamental, que apontam mudanças no perfil dos jovens. Entre os entrevistados, 39,6% afirmaram que o cansaço mental e intelectual é a principal dificuldade enfrentada atualmente.

O estudo também revelou que os influenciadores digitais perderam espaço como referência para essa geração. Apenas uma pequena parcela dos jovens afirma ser influenciada por criadores de conteúdo, enquanto a maioria confia mais em si mesma e na família para tomar decisões. O TikTok aparece como a plataforma de maior uso diário, e muitos entrevistados demonstram rejeição ao uso excessivo ou pouco autêntico da inteligência artificial por empresas e marcas.

Outro comportamento destacado foi a tendência ao silêncio em ambientes sociais. Conforme Wallerius, muitos jovens evitam se expor por receio de que suas falas sejam gravadas, compartilhadas ou retiradas de contexto, utilizando o silêncio como forma de autopreservação.

Ao abrir o evento, o presidente da ACIL, Eduardo Brancher Gravina, ressaltou a importância de compreender as novas gerações para aproximar empresas e jovens profissionais. Segundo ele, o desafio é construir um ambiente capaz de integrar diferentes formas de pensar e fortalecer a empregabilidade na região.

Cíntia alertou para o rápido envelhecimento da região
(Créditos: João Vitor Roolaart Brandão)

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