Conheça um pouco mais da história de vida do Professor José Alfredo Schierholt: “a minha grande vontade é aprender sempre mais”

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Aos 88 anos, o professor José Alfredo Schierholt gosta das palavras, tanto na escrita, quanto na oralidade, para contar histórias. E a dele alguém já contou? Resumidamente poderia-se dizer que as sementes foram plantadas lá, quando gurizote, no então distrito de Hulha Negra, no município de Bagé. O ouvido aguçado para a contação de histórias, as redações na escola que vinham carregadas de elogios e a vontade de sempre aprender mais foram as instigadoras para que hoje ele ainda cultive o hábito de registrar histórias.

Conversar com o professor é uma volta ao tempo. Estar em sua sala de trabalho é ver que ele vive em meio às letras, são livros, jornais, folhetos, tudo indicando o seu apreço à pesquisa, à leitura e escrita. No meio das tantas histórias que ele narra está a passagem pelo seminário, chegando ao noviciado e a ordenação. Foi nesse período, como seminarista, que ele viu um jornal nascer na pequena gráfica que havia no seminário, foi ali também que estava rodeado por livros e cadernos. “Queria muito estudar, tudo era motivo para buscar mais. Aprendi línguas: latim, francês, hebarico e grego. Colei grau em Filosofia, Teologia, fiz muitos cursos. Aproveitei todas as oportunidades para estudar, que era a minha grande vontade: aprender sempre mais”, relata Schierholt.

Com a ordenação sacerdotal veio um período diferente, onde era necessário ir às paróquias. Sem o estudo constante, houve uma quebra. “Senti como se minha vocação tivesse se esvaído”, mas, mesmo assim, José Alfredo foi um bom pároco e ganhou a fama, na época, por “levantar” paróquias que estavam com problemas financeiros. Foi assim em David Canabarro, onde, além de recuperar as finanças, foi responsável pela fundação de um ginásio estadual, sendo professor e diretor.

Em 1970, após reavaliar a sua vocação e preparar-se para as mudanças que viriam, retornou ao estado laico. Optou por afastar-se das regiões onde havia exercido o ofício religioso e fixar residência em Lajeado, em 1971, quando começa a sua história no Vale do Taquari.

Seu primeiro emprego foi como professor de História na Escola Estadual Castelo Branco e lembra até hoje o que o fez tornar-se conhecido. “No primeiro dia de aula pedi como era o nome da praça defronte a escola, quem havia fundado Lajeado, quem fora o primeiro prefeito e não vieram as respostas. Como estudar história se não se conhecia nem a própria? E foram às pesquisas com quem tinha as respostas”, conta o professor.  No decorrer de sua carreira no magistério atuou também no Centro Educacional Estrela da Manhã, na Fundação Alto Taquari de Ensino Superior, na Escola Madre Bárbara e na Universidade de Caxias do Sul.

Como docente começou a inserir-se na comunidade, assumindo inúmeras atividades comunitárias em instituições, escolas e comunidades religiosas. Pela sua dinamicidade coletou prêmios: Alicerce Cultural, concedido pela Rádio Independente; Cidadão Lajeadense, reconhecimento conferido pelo Legislativo e o Prêmio Lions de Educação, do Lions Clube Lajeado Centro e Florestal.

 

Acadêmico da Alivat, professor, jornalista e escritor. Todo o conhecimento que adquirira ao longo da vida, fruto de suas leituras e estudos, lhe abriram várias possibilidades na área da comunicação. Aqui no Vale atuou no Jornal de Lajeado, na Folha do Mate, no Informativo do Vale, Jornal da Fates e no jornal A Hora.

Pelo gosto de pesquisar publicou diversos livros. Em 2005, foi membro fundador da Academia Literária do Vale do Taquari – Alivat, sendo empossado como acadêmico número cinco, em 2011, tendo como Patrono Lothar Francisco Hessel.

 

Livros publicados

Centenário da Ordenação Sacerdotal do Pe. Berthier 1862-1962,

Revolução Federalista no Vale do Taquari

Lajeado I – História Política

Lajeado II – APEUAT – Raízes do Ensino Superior

100 Anos de Madre Bárbara

À Sombra de Plátanos – História da Saúde no Vale do Taquari

Grão de Mostarda – Caminhada da Paróquia de Santo Inácio,

Frei Boaventura Kloppenburg, OFM – 80 anos por Cristo em Sua Igreja

80 Anos da ACIL – História da Associação Comercial e Industrial de Lajeado

Estrela Ontem e Hoje

Rolante – Rio que gera história

CRUZEIRO DO SUL e sua História

Rádio Independente 60 anos no ar

História do Hospital Bruno Born, a ser publicado

Dicionário de Estrela, no Site da Prefeitura

 

Além dos livros, José Alfredo Schierholt  é responsável pela publicação de revistas, apostilas e subsídios.

Obra em andamento

Sempre com textos alinhavados e ainda com muita vontade de escrever, o professor Schierholt está na produção de uma pesquisa que aborda a história da imprensa no Vale do Taquari. Já com 251 páginas digitadas, o autor pretende lançar a obra em 2024, quando completará 89 anos. “São estes novos desafios que me movem, que me instigam a continuar e perpetuar a história, que, sem registros, se perde”, complementa o professor.

 

Legenda – Com orgulho, Schierholt mostra o seu primeiro livro: Centenário da Ordenação Sacerdotal do Pe. Berthier 1862-1962

 

Texto: Claci Maria Gasparotto

Fotos: Elton de Andrade

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