A sessão ordinária da Câmara de Vereadores de Lajeado, realizada na terça-feira (17), foi marcada por forte repercussão política após a confirmação da perda de mandato do vereador Antônio Oliveira (Podemos), decisão que dominou os debates no plenário e gerou manifestações de apoio, críticas e reflexões entre os parlamentares.
A cassação foi definida de forma unânime pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul (TRE-RS), seguindo o voto do relator, desembargador Nilton Tavares. A decisão mantém o entendimento da primeira instância, proferido em abril de 2025 pelo juiz eleitoral Rodrigo de Azevedo Bortoli. O motivo foi a anulação dos votos do partido Podemos nas eleições de 2024, em razão da candidatura considerada ilegal de Luciana Caussi, declarada inelegível.
Durante seu pronunciamento na Câmara, feito logo após a decisão, Oliveira contestou duramente o resultado, classificando o processo como um movimento político de má-fé. “Eu trouxe esperança para Lajeado mostrando que com caráter se faz um bom trabalho. Eu não vou mudar uma vírgula da minha conduta porque sei onde vou e quando vou voltar”, afirmou. O ex-vereador também garantiu que irá recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e que seguirá atuando em prol da comunidade. “Não preciso de mandato para trabalhar”, completou, ao agradecer o apoio dos eleitores.
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A saída de Oliveira repercutiu entre os parlamentares. Vereadores de diferentes bancadas lamentaram a perda do mandato, destacando sua atuação, especialmente em bairros como o das Nações. Outros reforçaram a importância do respeito ao processo legal e à decisão da Justiça Eleitoral.
Presidente do Legislativo lamenta saída e reforça postura firme
Em segundo destaque, o presidente da Câmara, vereador Oilquer dos Santos, o “Néco”, também se manifestou sobre o episódio. Ele lamentou a falha partidária que levou à cassação e a consequente saída de Oliveira, ressaltando o impacto político da decisão.
Néco aproveitou seu espaço no Grande Expediente para reafirmar o papel fiscalizador do Legislativo e destacou que manterá uma postura independente, cobrando melhorias do Executivo sempre que necessário. “O vereador é o canal entre a comunidade e o Executivo. Se for preciso criticar, vamos criticar, mas também reconhecer quando há boa gestão”, afirmou.
O presidente também deu ênfase à área da saúde, cobrando soluções urgentes para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Segundo ele, investimentos no setor são indispensáveis. “Na saúde nunca é gasto, é investimento”, declarou, defendendo medidas que ampliem a qualidade no atendimento à população.
Além disso, comentou críticas sobre serviços urbanos, como roçadas, ponderando que atrasos podem ocorrer por fatores como clima e falta de mão de obra, mas ressaltou que a empresa responsável tem histórico de bom trabalho.
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Demais debates da sessão
Apesar do forte impacto político, os vereadores também utilizaram o Grande Expediente para apresentar demandas e ações. Entre os temas abordados estiveram melhorias no trânsito, investimentos em saúde, infraestrutura urbana, valorização do comércio local e projetos sociais.
A vereadora Paula Thomas (PSDB) destacou as atividades realizadas na Orla do Rio Taquari no fim de semana, como o campeonato de beach tênis e o passeio de canoa havaiana promovido por mulheres engajadas na luta contra o câncer de mama. Também mencionou a doação de camas elásticas pela CDL a escolas do município e convidou a comunidade para a ação “Viva o Taquari-Antas Vivo”. Na área de trânsito, pediu mais fiscalização e lembrou da implantação de sinaleiras inteligentes.
O vereador Aquiles Mallmann, o “Cascão” (PP), reforçou a importância do comércio local, classificando-o como forte e atrativo. Apesar do crescimento nos bairros, cobrou melhorias na Rua Júlio de Castilhos e apresentou proposta de revitalização. Também destacou emenda de R$ 700 mil, sendo parte destinada ao Hospital Bruno Born e o restante para a via.
Waldir Blau (MDB) lamentou a saída de Antônio Oliveira e cobrou explicações da empresa responsável pela coleta de lixo sobre a falta de contêineres em bairros como Planalto e Monte Belo. Também apontou problemas viários.
Patrícia Rambo (MDB), que assumiu vaga na Câmara, comentou a cassação de Oliveira e defendeu a valorização dos votos recebidos. Também abordou a necessidade de adequação à Lei 15.426 no município, citando exemplos de outras cidades.
Eder Spohr (MDB) destacou o trabalho de Oliveira, especialmente no bairro das Nações, e criticou o atraso nas respostas do Executivo a requerimentos. Também demonstrou preocupação com a segurança no trânsito na região da Avenida dos Ipês, sugerindo a implantação de rótula.
Rosana Cardoso (PT) abordou temas ligados à educação e ao combate à violência contra a mulher, criticando informações que minimizam o feminicídio. Também destacou recursos destinados à casa de passagem e à saúde, além de visita à Univates para avaliar serviços nas UPAs.
Ana da Apama (PP) apresentou proposta para criação de parque inclusivo voltado a crianças com deficiência e autismo. Também destacou repasses à FUNDEF, recursos conquistados via emendas parlamentares e a necessidade de um censo animal no município.
Lisandra Quinot (PP) ressaltou emenda de R$ 200 mil para cirurgias eletivas e reforçou o projeto de praça inclusiva em conjunto com Ana da Apama. Também mencionou ações na área da saúde e elogiou iniciativas culturais da cidade.
Fabiano Bergmann (PP) elogiou a atuação de Antônio Oliveira e destacou a grande demanda por melhorias nos bairros, especialmente na área de obras.
Mano Pereira (PL) manifestou solidariedade ao ex-vereador e relembrou ações comunitárias, como o evento em Estrela em apoio às vítimas das cheias. Também anunciou audiência pública com a Corsan e agradeceu melhorias realizadas pela Secretaria de Obras.
Luis André Benoitt (PL) destacou emendas destinadas à FUNDEF e melhorias na sinalização viária, mas cobrou mais eficiência nos serviços de roçada. Também criticou a cobertura de um veículo de comunicação local.
Lorival dos Santos (PP) elogiou o trabalho da FUNDEF e destacou reunião com a Univates sobre a gestão das UPAs. Ele defendeu a atuação da Administração Municipal e rebateu críticas sobre a infraestrutura da cidade.
A sessão evidenciou um Legislativo ativo, mas fortemente impactado por um episódio que altera a composição da Casa e pode trazer reflexos no cenário político local nos próximos meses.


