Condomínio popular de Lajeado recebe projeto inovador de Economia Circular de Alimentos

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Iniciativa inédita promove um modelo de reaproveitamento integral dos alimentos ao organizar a separação e o destino correto do que antes era descartado, combatendo a insegurança alimentar e gerando novas oportunidades sociais e econômicas para a comunidade

Em uma era de crescente alerta ambiental, a gestão de resíduos deve ir além de plásticos e vidros: o desperdício de alimentos é uma urgência global. Hoje, o aproveitamento de excedentes esbarra em fragilidades de logística, segurança jurídica e cultura organizacional, levando empresas a destinar para o aterro sanitário toneladas de alimentos ainda aptos para o consumo, e isso todos os dias. O que antes era o fim passa a ser apenas um recomeço.

Para reverter esse abismo que aprofunda a insegurança alimentar, deu-se início em Lajeado um projeto inovador para a região e até mesmo o RS, mas já com excelentes resultados em outros estados brasileiros. O projeto “Acelera ESG”, mais do que só proporcionar o correto destino ambiental de alimentos antes descartados por supermercados, fruteiras, indústrias e outros, visa uma reclassificação destes como meio de combate à fome e fonte de alternativas para a reestruturação social e econômica da comunidade.

Moradores participam diretamente do processo; e recebem treinamento

Com experiências produtivas em outros municípios da Bahia, Espírito Santo e Mato Grosso, o programa “Acelera ESG” chega agora ao RS, inicialmente no Condomínio Novo Tempo I, instalado no Bairro Santo Antônio, em Lajeado. A iniciativa será executada pela organização de mesmo nome (https://www.instagram.com/aceleraesg/ ), autora da proposta selecionada no país pelo Instituto MBRF (IMBRF). Em Lajeado, conta ainda com a parceria ambiental da empresa Recic, especializada nos processos de destinação de resíduos. Um dos pilares do programa foi inaugurado na última semana: a unidade de compostagem dentro do condomínio, com a participação direta de moradores no processo.

Como funciona

O Acelera ESG propõe reduzir o desperdício de excedentes alimentares ao promover eficiência logística por meio de rotinas seguras de triagem, higienização e destinação para parceiros sociais e projetos de compostagem. Com isso, a iniciativa fortalece a economia circular e desenvolve modelos replicáveis de impacto socioambiental. De forma simples e prática, a plataforma tecnológica do projeto conecta de maneira inteligente as empresas doadoras diretamente às ONGs e voluntários receptores. Essa rede orquestrada assegura o reaproveitamento integral do material recuperado, direcionando-o estrategicamente para a nutrição humana, preparos culinários ou geração de adubo orgânico.

“A iniciativa nasceu quando percebemos que grandes volumes de frutas, verduras e legumes, que eram descartados de forma abundante por supermercados e centros de abastecimento, poderiam ser transformados em alimento seguro para famílias que enfrentam dificuldades de acesso regular à alimentação. Desde então, o projeto passou a organizar coletas, estruturar triagens comunitárias e a promover formações em boas práticas e reaproveitamento”, explica Roseana Moreira, uma das fundadoras da Acelera ESG. “A proposta é não desperdiçar nada. O que antes iria para o lixo comum agora será selecionado e terá destinação adequada, seja na produção de novos alimentos, seja como adubo de hortas comunitárias, completando o ciclo da Economia Circular. Pode ainda, com o avançar do projeto e das oficinas, virar alternativa de renda a partir da elaboração de marmitas, doces, polpas e outros. O que antes era o fim passa a ser apenas um recomeço”, pontua ela.

Gabriele Candido, coordenadora do Instituto MBRF, celebra a oportunidade. “Esse projeto traduz, na prática, o propósito do Instituto MBRF de combater o desperdício de alimentos e ampliar o acesso à alimentação de qualidade, ao mesmo tempo em que promove impacto social e ambiental positivo nas comunidades. A iniciativa integra o Desafio Perda Zero, que busca soluções inovadoras e replicáveis para reduzir perdas ao longo da cadeia de alimentos, fortalecendo a economia circular e gerando oportunidades locais”, afirma.

 Primeiros passos

O Residencial Novo Tempo I é um conjunto habitacional construído em 2017 no âmbito do programa federal Minha Casa Minha Vida (faixa 1). Ao longo dos anos, enfrentou diversos problemas sociais e de segurança. Agora, moradores participarão de capacitações em boas práticas de triagem, higienização e beneficiamento de alimentos.

A moradora Ângela Maria Dias, 59 anos, mora no condomínio há mais de oito anos. Há poucas semanas assumiu como síndica do local, e participa da implementação do projeto desde que a proposta apareceu e se mostra animada. “O projeto pode contribuir e muito para diversas famílias daqui. Traz conhecimento, organiza a gente e pode ajudar a todos. Torço muito e vou trabalhar para que dê certo”, afirma ela, entusiasmada.

Ângela Maria Dias há poucas semanas assumiu como síndica do local

Para Tiago Guerra, diretor executivo do Pró_Move Lajeado, trata-se de uma excelente oportunidade de desenvolvimento econômico e social. “Dentro do ecossistema de segurança de práticas restaurativas de Lajeado, que já é desenvolvido aqui na comunidade e no condomínio, o empoderamento social é muito importante. E o Acelera ESG se encaixa neste cenário e trabalho. Vem em ótima hora, pois vai mobilizar e unir ainda mais a comunidade no desenvolvimento de competências e habilidades, dando retorno de valor econômico e social, contribuindo também para a autoestima de todos.”

Impactos positivos 

A atuação da Acelera ESG em outros municípios mostrou impactos diretos na redução de volumes de alimentos descartados e na geração de soluções sociais para famílias em situação de insegurança alimentar. Desde 2022, quando iniciaram as operações, mais 182 toneladas de alimentos já foram recuperadas, evitando a emissão de 500 toneladas de gases de efeito estufa (equivalente a 108 carros fora das ruas por um ano) e gerando mais de 350 mil refeições de qualidade. Desta forma, gerando impacto socioambiental direto e sustentável, fortalecendo tanto a segurança alimentar quanto às oportunidades de geração de renda.


Parcerias institucionais e futuro

De acordo com os responsáveis pelo Acelera ESG, projetos com esse perfil demandam o apoio de entidades locais, universidades, parceiros de fomento e organizações de inovação, fortalecendo assim o ecossistema de sustentabilidade no município. “Nossa proposta é ampliar o acesso a alimentos nutritivos, reduzir perdas, aumentar a autonomia econômica dos participantes e consolidar uma rede estável de parceiros doadores. A expectativa é de que até 800 pessoas sejam impactadas de forma direta e indireta nos primeiros seis meses do projeto no Novo Tempo I. Mais parcerias podem aumentar este alcance e a proposta pode ser levada para outros condomínios, bairros e municípios”, pontua Roseana Moreira. Informações pelo (71) 99164-6119.

(Fonte: RDAngeli – Fotos: Giovane Souza GS/ e divulgação)

Projeto pretende criar alternativas com o que antes iria para descarte por parte de supermercados, fruteiras e outros meios

 

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