Arroio do Meio – “A obra mais importante da construtora durou duas semanas”, a frase do empresário Roberto Luchese, citada na entrega da obra de reconstrução da ponte de ferro, dimensiona a importância da conexão que foi restabelecida entre Arroio do Meio e Lajeado, no domingo, 9, ao entardecer. Foi um final de dia histórico, tendo por testemunhas centenas de pessoas dos dois municípios.
Na solenidade de entrega, o idealizador da iniciativa, Roberto Luchese, da Lyall Construtora, ressaltou que a obra mais importante são as pessoas e, por elas, foi reconstruída a ponte. “Nosso maior patrimônio é o nosso povo. A grande obra são as pessoas e por elas que a ponte foi feita”. O prefeito Marcelo Caumo, de Lajeado, mencionou que a obra servirá de exemplo para o mundo. “A gente sofreu, mas não se conforma. A gente tem garra e quer melhorar a cada dia”.
“É um momento de superação, de alegria. Temos muito que agradecer ao Luchese e parceiros pela coragem de dizer e fazer. Nada é impossível. Com atitude tudo se conquista”, afirmou o prefeito de Arroio do Meio, Danilo Bruxel, reafirmando a importância de retomar a conexão com Lajeado e o Vale.

Outros momentos também foram muito simbólicos. A fixação de um prego pelas autoridades e parceiros e a passagem do primeiro veículo, uma ambulância de Arroio do Meio que seguiu para Estrela para buscar um paciente.
O trânsito de veículos foi liberado na segunda-feira, 10, às 17h15min. O controle é feito por um semáforo, dotado de um sistema inteligente com tempos alternados conforme o fluxo de veículos.
Queda das pontes
A enchente histórica do princípio do mês de maio interrompeu a conexão de Arroio do Meio e Lajeado com a queda da ponte da ERS 130 e um vão da ponte de ferro. A necessidade de restabelecer o fluxo entre os dois municípios mobilizou a iniciativa privada na busca por solução. Liderados por Roberto Luchese, da Lyall Construtora, junto com Tintas Nobre, Altari Carrocerias, Guinchos Sansão, outros parceiros, poder público e Exército, a recolocação do vão possibilitou a retomada do fluxo entre os dois municípios.
Uma história e uma lição
“Partes da nossa história se foram com as chuvas, deslizamentos e enchentes, mas não as memórias”, a afirmação da historiadora Carla Schroeder aponta para as perdas que a força das águas ocasionou, dentre elas uma parte da ponte de ferro, um ponto histórico de Arroio do Meio.
Segundo ela, pesquisas históricas realizadas no Museu Público Municipal de Arroio do Meio, indicam que a sua construção era aspiração antiga de vários municípios. A obra iniciou em 1927, sendo paralisada em 1929 por falta de verbas. Concluída dez anos depois, foi inaugurada em 16 de julho de 1939, com a presença de diversas autoridades e cerca de dez mil pessoas, pela importância da conquista. A Ponte de Ferro liga os municípios de Arroio do Meio e Lajeado, marcando o encontro dos rios Taquari e Forqueta. A estrutura da ponte veio da Alemanha. O Museu guarda a tesoura que cortou a fita da inauguração da ponte e as fotos do momento histórico, bem como, do churrasco servido nas dependências do antigo Frigorífico Ardomé na data de inauguração. Neste ano, a ponte completaria 85 anos.
Como historiadora, Carla avalia as tantas histórias e memórias da ponte e das travessias em momentos importantes ou cotidianos. “Parte dela resiste firme. Mas a ponte nos dá uma lição, que relembra nossos antepassados. Todos os povos que para cá vieram, desde os indígenas, passando pelos portugueses, africanos, alemães, italianos e seus descendentes, resolveram aqui ficar pela fertilidade do vale, pela disponibilidade de água, pela acessibilidade pelos rios. Enfrentaram milhares de dificuldades, intempéries, guerras, doenças, fome, morte, mas fixaram morada. Fomos forjados nesse contexto”. Neste momento, reforça a professora, todos, uns mais outros menos, estamos atingidos e sensibilizados. “Precisamos refletir e buscar aprender, sermos resilientes e, principalmente, sensíveis e solidários, humanos. Importa se abraçar, olhar o todo, colocar-se a serviço, e como parte da Ponte de Ferro que resistiu ao caos, encontrar forças para que juntos, na essência comunitária que nos é tão característica, reconstruir nossos lares e esse lugar ao qual pertencemos”, finaliza.



