Variedades em Foco – Layne Thomas Staley

Carolina Schmidt/Jornalista
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Por Carolina Schmidt/Jornalista

Na edição impressa do Jornal Nossa Gente veiculada no final de agosto, a coluna destacou, mais uma vez, um talento único e mundial da música. O nome em questão é de Layne Thomas Staley que foi vocalista das bandas Alice in Chains e Mad Season. O AIC surgiu em Seattle, que fica no Noroeste dos Estados Unidos, em 1987 e explodiu ao sucesso ao lado de Nirvana, Soundgarden, Pearl Jam, Mother Love Bone, Screaming Trees e Mudhoney em 1990. Além dessas bandas, havia muitas outras que ficaram conhecidas na região de origem, mas não alcançaram o sucesso internacional. Seattle trouxe os olhos de todo o mundo para si e despertou as grandes gravadoras. Até hoje, o movimento vive na cidade e atrai turistas o ano todo para respirar e sentir a ‘cidade do grunge’. O estilo também é marcado por popularizar as camisas xadrez e botas de coturno como a marca da cidade Dr. Martens. O estilo já foi para as passarelas e sempre é associado ao movimento sem sair de moda.

 

Staley foi um dos vocalistas mais talentosos de Seattle e do mundo. Com uma voz de tenor lírico, dizem que era mais alta ao vivo do que o som que saía das caixas nos shows. Era um rapaz simples que não esperava o sucesso, mas em produzir pelo amor à música. No último 22 de agosto, em função de que seria seu aniversário de 58 anos, ele esteve em evidência, pois houve uma programação especial em Seattle: shows com tributos, encontros de fãs, familiares e das bandas parceiras e famosas de Seattle. O evento anual reúne pessoas do mundo todo. Tenho muitos amigos nas redes sociais de lá que conviveram com ele e postaram momento emocionantes do evento.

 

Até 1991, Staley não conhecia a tão temida heroína, responsável por muitas mortes naquela região entre 1980 e 1990. O Noroeste dos Estados Unidos trazia algo sombrio no compartilhamento de seringas que chegou à mãos dos famosos vocalistas e músicos da chuvosa Seattle. Para Layne Staley, isso também não passou despercebido, mas tudo começou como curiosidade. Anos depois, o vício se tornou sério e desesperador. Tentou parar e foi internado, mas dizia que não conseguiria. E assim foi anos e anos até sua noiva falecer, em 1996, de endocardite bacteriana, uma inflamação na membrana do coração causada, no caso, por bactérias do uso de seringas e vício. Desde aquele período, ele foi ficando mais recluso. Sua última aparição em show com o Alice in Chains foi naquele mesmo ano e as últimas gravações em 1998. Muitos tentaram ajudar, mas ele dizia que não conseguiria. Em abril de 2002, aos 34 anos, ele foi encontrado sem vida em seu belíssimo apartamento em Seattle. Estava morto lá há 15 dias. Sua mãe, ao entrar com a Polícia no local, sentou ao lado do corpo que estava no sofá e disse: “sinto muito que as coisas tenham acabado assim”. Layne avisou sobre os perigos do vício em suas letras. Falou abertamente. Tinha consciência. O álbum Dirt de 1992 é a sequência da euforia do começo, consequências e do abismo ao qual chegou pelo vício. Como ele mesmo falou: “Por que meus fãs ainda usam drogas? Não entenderam minhas canções?” No memorável Acústico MTV de 1996, era evidente os problemas que passava…

 

Durante dez anos, eu tive contato no Facebook com a mãe da noiva falecida de Layne, Dona Kathleen Austin. Um dos presentes que essa vida me deu, mesmo que virtual. A gente conversava muito, era uma pessoa muito especial e querida, mas, infelizmente, também faleceu em junho de 2023. Foi uma das mulheres mais fortes que conheci, perdeu todos os quatro filhos antes dela ir para o outro plano. Ela sempre me dizia para eu ler o livro que ela deu entrevista sobre a história de Layne, sua filha Demri, do Alice in Chains e do movimento cultural de Seattle. Tive a oportunidade de ler no ano passado entre os meses de abril e junho, durante um dos piores momentos de minha vida em função da catástrofe da enchente. Tenho certeza que onde ela está ficou feliz por eu ter lido. Aliás, recomendo para quem gosta das bandas de lá e do rock em geral. O livro se chama Alice in Chains, a história não revelada do jornalista David de Sola. Vale muito a pena! Entrevistas e relatos imperdíveis! Um salve ao meu vocalista favorito Layne Staley, as minhas eternas bandas de Seattle e ao estilo de roupas que se vê nas ruas até hoje. E um agradecimento eterno daqui ao céu para Dona Kathleen que compartilhou o quanto ele foi um ser profundo junto com sua filha. Gratidão!

Carolina Schmidt/Jornalista

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