O nono mês do ano traz uma das campanhas de saúde mais famosas no mundo: o Setembro Amarelo que objetiva a prevenção ao suicídio.
A data foi instituída em 2003 pela Organização Mundial da Saúde e chama atenção aos cuidados com a saúde mental e ao reconhecimento dos sinais que podem levar uma pessoa a tirar a própria vida. Quando um indivíduo sofre de transtornos como depressão e ansiedade, o alerta surge. Portanto, nesses casos a pessoa precisa de uma rede de apoio na saúde e de pessoas próximas. Além disso, aqueles que possuem sintomas com doenças associadas à mente, mas não se tratam precisam buscar o auxílio necessário. Profissionais como psiquiatras, psicólogos, enfermeiros, técnicos e assistentes sociais são fundamentais para vencer as doenças psíquicas que levam pessoas a tirar a vida.
Na região, municípios atuam em rede para atender os pacientes, obter sucesso no tratamento e para identificar de forma precoce casos críticos. Em Arroio do Meio, o serviço especializado em saúde mental é realizado pela Casa Branca. Conforme a coordenadora, Angela Bruxel há ações programadas para ocorrerem em setembro. A primeira será na Praça Central no dia 13 das 9h até às 12h com a presença com a presença do Hospital São José e Secretaria da Saúde e entrega de folder para prevenção. A segunda será realizada nas escolas municipais, na estadual e particular de Arroio do Meio para alunos do 9° Ano, mas ainda sem data definida.

“Falamos o ano todo na prevenção ao suicídio. Estamos na Casa Branca para acolher e ajudar as pessoas. O quanto antes buscarem o serviço, melhores serão os resultados. Depois da pandemia o número de pessoas com problemas de saúde mental aumentou. E as grandes enchentes que passamos também afetou muito a população. Muitos estão sentindo os efeitos agora e nos procuram. Antes estavam focados em reconstrução, recomeço e local para morarem. Agora os problemas como depressão e ansiedade estão vindo à tona naqueles que perderam bens e pessoas.”
Angela explica que o paciente é acolhido quando chega e encaminhado para consulta, terapia ou hospital de acordo com a gravidade. “As pessoas não precisam ter medo ou vergonha. Em conjunto construímos a melhora e tratamento ideal ao paciente. Muitas vezes, só um desabafo e uma conversa já ajuda.”
O SETEMBRO AMARELO
A origem do Setembro Amarelo foi com a história de Mike Emme, jovem norte-americano que cometeu suicídio em 1994. Conhecido por suas habilidades mecânicas e por gostar de ajudar os outrod, Mike resgatou e reformou um Ford Mustang 1968 e o pintou de amarelo. Após sua partida, os amigos e familiares do jovem fundaram o programa Yellow Ribbon (Fita Amarela).
Por ser um adolescente amoroso, prestativo e engraçado, sua morte por suicídio surpreendeu a todos. Isso reforça, ainda mais, a necessidade das pessoas ficarem atentas aos sinais de pessoas ao redor. Nem sempre uma pessoa que enfrenta problemas psicológicos deixará isso evidente.
De acordo com o Ministério da Saúde, 96,8% dos casos de suicídio estão relacionados com questões da mente sendo em primeiro lugar a depressão e ansiedade.
ESTUDOS NA REGIÃO
Em 2015, um estudo sobre o suicídio foi realizado por uma acadêmica da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc) com o foco na área da Comunicação sobre o tema. A divulgação de notícias sobre não é recomendada por uma série de fatores como os casos de contágio. Ou seja, quando um veículo publica uma notícia sobre o ato consumado pode encorajar outros a fazerem o mesmo. Notícias que tratam de campanhas de prevenção e cuidados podem ser divulgadas. Além disso, a acadêmica, na época, também abordou diversas áreas que envolvem o assunto e dados, estudos e números do Vale do Taquari e Rio Pardo. O médico psiquiatra Ricardo Nogueira, que atende no Hospital Mãe de Deus em Porto Alegre e promove um grande trabalho de prevenção, estudou os casos de suicídio em 2013 em Venâncio Aires, Santa Cruz do Sul, Candelária e São Lourenço por terem os maiores índices do mundo, principalmente, Venâncio Aires. Sua tese foi citada pela acadêmica no trabalho de conclusão do curso de Jornalismo. Na época de estudo de Nogueira, em 2011, o número na cidade chegou a 14 em um ano e de 23 tentativas, considerado como alto índice conforme ranking da Organização Mundial da Saúde.
Segundo o que constou na tese de mestrado de Nogueira para a Universidade Estácio de Sá, se fosse calculada a taxa de suicídio apenas entre a população rural de Venâncio Aires o resultado chegaria a 40,7 para cada 100 mil habitantes o que ultrapassaria qualquer outra do Brasil e do mundo. Venâncio já foi citado em reportagens sobre casos de suicídio na Folha de São Paulo e na Revista Globo Ciência nos anos 90.
Ricardo Nogueira também trouxe informações sobre as redes de atendimento da saúde mental dos municípios citados e como fortalecer e identificar casos. De acordo com demais dados apresentados pela acadêmica, além da tese de Nogueira, os casos de suicídio já são um problema de saúde pública no Brasil por estarem entre as dez causas de mortes mais comuns em várias faixas etárias. Dados mostram que, ao cada dia, cerca de 24 pessoas tiram a vida no país. As tentativas são maiores em mulheres e os casos consumados em maior número nos homens. O vício em álcool e drogas e transtornos de saúde mental são os principais causadores.
Ricardo Nogueira já esteve em Venâncio Aires em várias ocasiões para palestras e orientações para trabalhos de prevenção. Concedeu entrevistas para os veículos locais. Participou de um grande seminário de prevenção ao suicídio que uniu a região no ano de 2011.




