Gilberto Piccinini foi o palestrante da reunião-almoço realizada nesta quarta-feira. Ele falou sobre a gestão da cooperativa e as oportunidades para seguir com o crescimento.
Lajeado – O presidente da Cooperativa Dália Alimentos, Gilberto Piccinini, foi o palestrante da reunião-almoço (RA) que a Associação Comercial e Industrial de Lajeado (Acil) promoveu nesta quarta-feira (13). A programação, realizada no salão de eventos da entidade, contou com a participação de cerca de 110 pessoas que conheceram o modelo de gestão, os desafios e as oportunidades enfrentadas pela cooperativa.
Na abertura da programação, Piccinini agradeceu a oportunidade de falar sobre a empresa. Comentou que os conceitos de gestão da cooperativa estão baseados na proximidade com as pessoas e no compartilhamento de resultados com as famílias associadas. “Nossos princípios estão diretamente ligados a uma frase do fundador da Dália, João Batista Marchese. Ele dizia que as soluções nascem quando sentamos ao redor de uma mesa, todos pensando no bem comum e não em si próprio”, comentou.
Apresentando o organograma administrativo, Piccinini revelou que a cooperativa buscou inspirações no exterior, priorizando a ética e a reponsabilidade para tornar os associados cada vez mais ativos e próximos do negócio. “Fomos buscar experiências na França, Itália e Alemanha. Nossa gestão é parlamentarista e todos têm suas responsabilidades”, frisou. Ainda segundo o presidente, para manter o funcionamento das atividades e as diretrizes do planejamento estratégico, a cooperativa realiza avaliações semestrais com os conselhos. Nestes encontros, todas as lideranças compartilham seus resultados e apresentam seus resultados de desempenho.
Estrutura
Piccinini comentou que a Dália conta, atualmente, com 2.244 famílias associadas e 2.960 colaboradores. Com atuação em 125 municípios, a cooperativa mantém presença em todos os estados brasileiros e exporta seus produtos para 20 países, registrando um faturamento de R$ 2 bilhões. “Tudo isso é administrado com muita responsabilidade. Nossos associados, que são donos do negócio, têm acesso a essas informações”, completou
Trazendo informações sobre o parque industrial da Dália, Piccinini revelou que o frigorífico de suínos tem capacidade de abate de até três mil animais por dia, e o de frangos até 55 mil aves por turno. Ainda em relação a capacidade de produção da cooperativa, o dirigente revelou que a unidade de leite UHT possui capacidade para processar 500 mil litros por dia e a unidade de leite em pó tem capacidade de processar 450 mil litros ao dia.
Segundo o presidente, um dos principais desafios da Dália para aumentar a sua capacidade produtiva, é o apagão de mão de obra, registrado tanto no campo quanto na indústria “Nós temos muitas oportunidades em aberto na Dália. A cooperativa sempre tem vaga de emprego que não consegue completar. Isso influencia diretamente na produção dos nossos produtos”, completou.
Histórico
Fazendo uma retrospectiva dos últimos cinco anos, Piccinini destacou que, apesar dos desafios globais registrados pela pandemia em 2020, a cooperativa registrou um resultado histórico na suinocultura. “Em 2020, a China, um dos principais mercados, enfrentou a peste suína. Com isso, a produção por lá foi prejudicada e os produtores brasileiros conseguiram aumentar o envio de seus produtos. Com essas exportações, a Dália registrou um faturamento histórico no setor suíno”, enfatizou.
Em 2021, Piccinini comentou que a cooperativa enfrentou o início de uma crise no segmento, com aumento dos custos de produção das proteínas de origem animal, sem a possibilidade de repasse ao mercado. O cenário persistiu ao longo de 2023 e 2024, com as cheias registradas no Rio Grande do Sul. “Essas adversidades, que se somaram a um contexto já delicado para o setor, trouxeram complicações para a produção e distribuição de alimentos”, compartilhou.
Oportunidades
Para manter a cooperativa competitiva, Piccinini comentou que a Dália aposta na exportação dos seus produtos sem deixar de atender o comércio local. “Durante as enchentes de 2023 e 2024, percebemos que o gaúcho é um povo solidário e que prioriza as marcas locais. Nossa estratégia prevê atendimento ao mercado brasileiro e a exportação. O mundo vê o Brasil como importante fornecedor de proteína animal e temos que aproveitar essa oportunidade”, alerta.
Piccinini encerrou sua exposição reforçando que a união das forças contribui de forma significativa para o desenvolvimento das comunidades. “O associativismo, assim como o cooperativismo, é o sistema que as comunidades adotam quando precisam de soluções rápidas e comunitárias, para viabilizar as atividades econômicas e sociais”, finalizou.
Relevância do setor
O presidente da Acil, Joni Zagonel, em sua saudação, destacou a importância de trazer, para o evento o case da cooperativa Dália. Ele destacou que 40% do PIB gaúcho é proveniente da agropecuária. “O agronegócio e a indústria alimentícia estão profundamente conectados na nossa região. A Dália, que representa mais de duas mil famílias associadas, é uma gigante do setor agropecuário e tem papel crucial no desenvolvimento local. É essencial garantir a preservação e cuidado com a cooperativa para que ela continua prosperando no Vale do Taquari”, frisou. Ao final do evento, Zagonel conduziu as perguntas do público ao palestrante.

(João Vitor Brandão)


