A gradativa baixa do nível do Rio Taquari no domingo (19), mesmo que de forma bem mais lenta que na última enchente, não significou redução nas operações da administração municipal nas mais diversas frentes de atuação. Equipes seguem trabalhando no auxílio às vítimas, tanto as desabrigadas como as que retornam aos poucos às suas casas. Também na desobstrução e limpeza de vias, no amparo social necessário, inclusive para abastecimento de água através de caminhões pipa e água potável comprada, assim como no oferecimento de geradores nos locais de maior urgência, entre eles os próprios abrigos e a hemodiálise, visto a deficiência por parte das empresas prestadoras de serviços responsáveis.
Socorro e auxílio às famílias
A enchente do último final de semana exigiu, em mais de 48 horas ininterruptas de operações por tarde da Defesa Civil e equipes de apoio, o empenho na a remoção de 209 famílias, mais de 600 pessoas, sendo que o número é ainda maior porque muitas saíram por conta própria e nem informaram as autoridades. Mais de 400 foram necessárias ficarem alojadas em três abrigos municipais, inclusive com espaços especiais para animais domésticos – e tratamento veterinário.
Destas famílias, cerca de 340 pessoas ainda permanecem nos abrigos com o apoio de diversos servidores, em especial da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social e Habitação (Sedeh), e contando com serviços sociais e de equipes multidisciplinares oferecidos pela pasta da Saúde. A dificuldade de limpar as casas em razão da falta de água, a necessária avaliação de algumas moradias, o receio de alguns moradores em retornar para os lares, assim como a precaução da Assistência Social e Defesa Civil em razão da possibilidade de mais chuvas, adia um pouco o retorno.

Doações
Alimentação segue sendo oferecida às famílias nos três abrigos quatro vezes ao dia, apesar da escassez de alimentos e água recorrentes do número bem menor de doações em relação a setembro. Tanto que o município precisou realizar a compra de cestas básicas e água. Doações, principalmente, alimentos, produtos de higiene e limpeza seguem bem-vindas e devem ser levadas ao INSS, onde está sendo feito o cadastro e a distribuição controlada.
Estradas e trânsito
Mais de 180 ruas e estradas municipais foram bloqueadas pelo Departamento de Trânsito da Secretaria de Administração e Segurança Pública (Sasp), assim como sete pontes. Destas, apenas cinco seguiam obstruídas, seja por água ou por lama e material depositado, ou mesmo condições de trafegabilidade em razão dos próprios estragos nas pistas e cabeceiras, como o caso da Rua dos Marinheiros, com trecho totalmente bloqueado devido ao depósito de detritos do rio e parte em meia pista, devido ao risco de desmoronar. O acesso ao Centro ou Bairro pela chamada “Ponte Baixa” segue interditada pois trata-se de um local onde a lama e os detritos são muito maiores e exigem um trabalho bem maior para a remoção e limpeza. Equipes e máquinas da Secretaria de Infraestrutura estão em diversos pontos do município realizando os trabalhos, inclusive no apoio de translado das famílias, móveis e outros itens. O videomonitoramento da Sasp contribuiu mais uma vez muito no acompanhamento da chegada da água nas ruas, assim como na questão trânsito e evitando saques e roubos de estabelecimentos atingidos.
Campo e cidade
O prefeito Elmar Schneider realizou visitas pessoais a diversos pontos do município, na cidade e interior, onde ouviu demandas e queixas de moradores, agricultores, e também pode explicar alguns processos que muitas vezes não são de conhecimento do grande público, como no caso do próprio abastecimento de água, fonte de reclamação por parte dos cidadãos. Schneider, acompanhado de equipes técnicas da Secretaria Municipal de Desenvolvimento, Inovação e Sustentabilidade (Sedis) e da Agricultura também realizou visitas, respectivamente, a comerciantes e agricultores que tiveram seus empreendimentos atingidos, muitos pela segunda vez em menos de dois meses.
Educação
Na questão ensino, sete escolas da Secretaria Municipal de Educação (Smed) foram mais uma vez atingidas pela força da água. Os estragos e prejuízos físicos desta vez só não foram maiores porque, prevenidos, professores e servidores da Smed, também alunos e voluntários, ajudaram a, por exemplo, recolher materiais escolares, computadores e outros objetos. Ainda assim, foram muitos os estragos e mais de 1.1 mil alunos e crianças ficaram sem aulas por dois dias. As operações para limpeza destas escolas iniciaram ainda no domingo e parte dos estudantes já retornaram às aulas nesta quarta-feira (22). O restante na próxima segunda-feira (27), em especial os mais de 600 alunos da Emef Leo Joas, a maior da rede municipal.
Cultura
Já a Secretaria de Turismo, Cultura, Esporte e Lazer (Setcel) também cancelou os shows artísticos da Programação de Natal, assim como a iluminação noturna e decoração da cidade.



