Em Canudos do Vale jovens mantém viva tradição de amansar bois

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Antes da chegada do trator, todo serviço na roça era feito com o uso de tração animal. Embora seja mais penoso e demorado, era comum cada agricultor ter uma ou mais junta de bois ou touros.  No entanto, antes deles estarem amansados existe um longo caminho e muita paciência para conquistar a confiança dos animais, talento que nem todos conseguem adquirir ou ter.  Na propriedade dos irmãos Guinter, 22 e Guilherme Wolfart, 21, em Morro Gaúcho, interior de Canudos do Vale, é comum se amansar juntas de bois ou touros, seja para o serviço na lavoura de fumo e milho ou mesmo para incrementar a renda.

Segundo eles, foi a força dos animais que ajudou seus antepassados a desbravar as matas e transformá-las em terras produtivas. “Como nossa área é muito íngreme, a gente utiliza a carroça e a junta de bois para fazer praticamente todo serviço, desde o preparo da terra ao transporte do fumo até o galpão, a retirada de madeira e de pasto”, contam.

Entre as raças mantidas, está a zebu, gir, nelore e a comum. Cada uma, segundo Guinter, tem suas características, mas tem apenas um segredo para conseguir amansar: conquistar a confiança.  E isso é feito com muita dedicação, paciência e amor. “A gente ensina na base de exemplos, repetitivos milhares de vezes. Nunca batemos nos animais. Quando isso acontece, um trabalho de meses ou mesmo anos se perde.”

Dupla idênticas

A raça mais fácil de amansar, segundo Guilherme é a zebu. Eles são mais dóceis e compreendem melhor o que buscamos ensinar. Outro grande fator de valorização é a igualdade entre a dupla. “É um privilégio ter uma junta idêntica, além de ser bonito, ela vale bem mais na hora de vender ou trocar por outra. A inseminação artificial ajuda a gente alcançar melhores resultados.” Os irmãos ajudam a perpetuar uma tradição herdada dos primeiros colonizadores. Eles resistem a tentação dos modernos implementos agrícolas. “A gente se apega tanto a eles que na hora de vender ficamos até sem reação ou mesmo depois de uma semana bate a vontade de desfazer o negócio. Eles tem sentimento e sempre orientamos o comprador ou novo dono a forma ideal de tratar eles: boa comida, água limpa e fresca, descanso, além de muito carinho”, destacam.

 

Altos valores

A procura hoje por bois de tração reduziu-se muito, pois os tratores se tornaram mais baratos para comprar e o rendimento é incomparável. Mesmo assim, em municípios menores e com o relevo mais acidentado como é comum na região alta do Vale do Taquari, ainda encontramos nas estradas muitas carroças e bonitos bois puxando pasto ou silagem para as vacas de leite ou mesmo em serviços nas lavouras. Os irmãos mantém em média de 10 a 15 juntas na propriedade, de diferentes raças, tamanhos e idade. Os valores também variam e os mais caros chegam ao montante de R$ 14 mil. “Estamos em um grupo no WhatsApp e lá conseguimos falar com produtores do todo Estado. Ainda se percebe a admiração e o valor que uma boa junta tem para auxiliar o agricultor. A máquina é fria e nada substitui o prazer de trabalhar com os animais, desde que sejam respeitados da forma como merecem”, finalizam.

Fotos Giovane Weber/FW Comunicação

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