Educação Infantil: entre desafios climáticos, desigualdades e experiências de destaque

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Por Roberto e Castro

O Rio Grande do Sul vive um momento decisivo para a Educação Infantil. No início de 2025, mais de 60 municípios adiaram o retorno às aulas devido a uma onda de calor histórica. Poucos meses antes, as enchentes de 2024 haviam paralisado escolas por semanas, afetando diretamente a rotina e o desenvolvimento de milhares de crianças.

Segundo dados de 2023, o estado registrou 466 mil matrículas na Educação Infantil, mas apenas 44% das crianças de 0 a 3 anos estão na escola, índice abaixo da meta do Plano Nacional de Educação. Entre 4 e 5 anos, a taxa é de 89%, também inferior à média nacional. A maior parte das vagas (67,2%) é ofertada pela rede municipal, enquanto a estadual participa com apenas 0,3%.

Além da dificuldade de ampliar o acesso, há problemas estruturais. Das mais de 1,5 mil demandas por obras escolares no estado, apenas 2,7% haviam sido iniciadas até 2024. Em muitos casos, as unidades não estão adaptadas para enfrentar temperaturas extremas ou atender às normas de segurança.

No Vale do Taquari, a enchente de maio de 2024 foi um divisor de águas para muitas famílias. Patrícia Gomes, mãe de uma menina de 4 anos, relata: “A escola ficou fechada por quase dois meses. Agora, com o calor, as crianças sofrem dentro da sala. É urgente pensar em como adaptar as escolas para esse novo clima.”

 

Um exemplo local: Colégio Bom Jesus de Arroio do Meio

Em meio a esse cenário desafiador, algumas instituições buscam estratégias para garantir não apenas a aprendizagem, mas também o bem-estar das crianças. É o caso do Colégio Bom Jesus, em Arroio do Meio, que atende cerca de 50 alunos de 3 a 5 anos.

A direção destaca que a metodologia adotada coloca o aluno como protagonista, com foco em metodologias ativas e vivências lúdicas. “O papel do professor é ampliado, deixando de ser um simples transmissor de conteúdos para se tornar mediador e facilitador. Nosso espaço é dinâmico e planejado para potencializar a autonomia e a descoberta”, explica a gestão.

O colégio oferece salas amplas, mobiliário adequado, playground, área verde, contraturno e almoço. Além disso, desenvolve projetos como Virtudes e Atitudes — que estimula valores como respeito, solidariedade e gratidão —, o Programa de Desenvolvimento de Habilidades Socioemocionais e iniciativas temáticas como Florestas, Fundo do Mar e Lugares que Frequentamos.

A preparação para a transição ao Ensino Fundamental recebe atenção especial. O processo inclui ambientação, acolhimento e reuniões de pais para apresentar o novo ciclo de forma clara e segura. “Nosso objetivo é reduzir a ansiedade e dar segurança às famílias, sempre respeitando o ritmo da criança”, afirma a direção.

 

O futuro da Educação Infantil

Para especialistas como Renato Farias, da UFRGS, o estado precisa acelerar a expansão das vagas e garantir infraestrutura capaz de resistir às mudanças climáticas. “Municípios pequenos enfrentam dificuldades enormes, e o risco é ampliar desigualdades já existentes.”

Enquanto isso, escolas como o Bom Jesus mostram que, mesmo diante de um cenário adverso, é possível oferecer experiências de qualidade, combinando afeto, metodologia e estrutura. O desafio, agora, é garantir que essa realidade seja acessível para todas as crianças gaúchas — não como exceção, mas como regra.

Colégio Bom Jesus de Arroio do Meio é referência em Educação Infantil no Vale – Foto: Divulgação

 

 

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