Operação de crédito de R$ 100 milhões já tem R$ 40 milhões aprovados; votação expôs divisão entre os vereadores
LAJEADO – A Câmara de Vereadores aprovou, nesta terça-feira (22), a segunda etapa da operação de crédito que poderá garantir até R$ 100 milhões para obras de mobilidade viária no município. O novo projeto, no valor de R$ 60 milhões, recebeu 11 votos favoráveis e três contrários.
A primeira parcela, de R$ 40 milhões, havia sido aprovada pelos vereadores em 8 de setembro. Ao todo, o projeto apresentado pelo Executivo relaciona 26 obras consideradas prioritárias. A estimativa é de que os R$ 100 milhões possibilitem a execução de aproximadamente 20 delas.
Antes da votação, o vereador Waldir Blau (MDB) pediu o adiamento da análise. A proposta terminou empatada em 7 a 7 e coube ao presidente da Câmara, Néco Santos (PL), o voto de desempate. O pedido foi rejeitado.
Votaram contra o adiamento Mano Pereira, Lisandra Quinot Persch, Lorival Silveira, Cascão, Fabiano Bergman, Paula Thomas, Carlos Reckziegel e Néco Santos. A favor do adiamento ficaram Eder Spohr, Marquinhos Schefer, Waldir Blau, Vavá, Rosane Cardoso, Luís Benoitt e Ana da Apama.
Na votação definitiva, a divisão política ficou novamente evidente. Waldir Blau, Vavá e Eder Spohr votaram contra a contratação dos R$ 60 milhões, enquanto os demais vereadores aprovaram a operação.
Com a aprovação das duas etapas, o município avança na autorização legislativa para contratar R$ 100 milhões em crédito, destinados a um conjunto de intervenções que promete mexer diretamente na mobilidade urbana de Lajeado nos próximos anos.

Grande Expediênte: Enchentes, Aegea e estacionamento dominam
Presidente Néco Santos destaca redução de famílias atingidas pelas cheias e cobra estudo sobre comportamento do Rio Taquari
A terceira enchente do ano voltou a ocupar o centro dos debates na Câmara de Vereadores de Lajeado. Na sessão desta terça-feira (22), o presidente Néco Santos (PL) destacou a redução no número de famílias atingidas, mas também defendeu um estudo mais aprofundado sobre o comportamento das cheias no Vale do Taquari.
Segundo Néco, o número de famílias desabrigadas caiu de cerca de 600, registrado na enchente de julho, para aproximadamente 250 nesta semana. Para ele, a redução também é reflexo dos programas habitacionais desenvolvidos pelos governos municipal, estadual e federal.
O presidente chamou atenção, porém, para a frequência das inundações. Segundo ele, no passado havia períodos com grande volume de chuva na parte alta do Vale sem que o Rio Taquari apresentasse as elevações registradas atualmente.
“Precisamos de um estudo climático minucioso para entender o que está acontecendo com o rio e com as chuvas na região”, afirmou.
Néco também citou o caso de uma mulher de 72 anos que sempre viveu em área alagável e, segundo ele, nunca foi incluída em programas para receber uma moradia fora da área de risco.
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Plano de Contingência
Paula Thomas (PSDB) avaliou que o Plano de Contingência funcionou durante a enchente desta semana e destacou a redução das famílias atingidas. Segundo ela, não há mais famílias desabrigadas na cota 18 e apenas três permanecem nas cotas 19 e 20.
A vereadora também alertou para famílias que passaram pela primeira enchente e desconheciam que seus imóveis estavam em áreas sujeitas à inundação.

Rotativo vira alvo de críticas
O estacionamento rotativo administrado pela Stacione foi alvo de críticas de diferentes vereadores.
Aquiles Mallmann, o Cascão (PP) afirmou que o sistema apresenta falhas e disse estar trabalhando com a Administração Municipal em uma proposta de melhoria.
Luís Benoitt (PL) questionou as multas aplicadas durante a enchente. Segundo ele, com áreas de estacionamento gratuito afetadas, muitos trabalhadores precisaram utilizar o rotativo e acabaram autuados por exceder o tempo permitido.
Vavá (MDB) também criticou a atuação da empresa e classificou algumas cobranças como injustas.
Aegea/Corsan na mira dos vereadores
O abastecimento de água também gerou críticas. Vereadores relataram falta de água em bairros e problemas relacionados às cobranças da Aegea/Corsan.
Mano Pereira (PL) teve aprovada proposta para reforçar a proteção dos consumidores. O texto estabelece normas para evitar que alterações de leitura, faturamento ou calendário resultem em mais de uma cobrança no mesmo mês.
“É um pequeno passo para proteger o consumidor que está sofrendo com a Aegea”, afirmou Mano.
O vereador também relatou reclamações de famílias de imigrantes que alugam imóveis em áreas de risco sem saber da possibilidade de alagamento.

Marquinhos Schefer (MDB) pediu atenção especial da Secretaria da Saúde para pacientes encaminhados a outras cidades. Segundo ele, já ocorreram casos de usuários que se deslocaram para municípios diferentes daqueles onde os procedimentos estavam agendados. Também criticou o serviço da Aegea/Corsan.

Outras cobranças
Eder Spohr (MDB) pediu melhorias em uma rua do Bairro Floresta que liga a região à ERS-130. Segundo ele, o movimento aumentou com a expansão de novos loteamentos.
Vavá (MDB), abordou a fila por vagas nas creches e pediu à Secretaria da Educação uma projeção das vagas para o contraturno nas EMEIs em 2027.
Marquinhos Schefer também cobrou providências para o prédio abandonado da antiga Polícia Civil.
Fabiano Bergmann (PP) destacou o trabalho da Apama no acolhimento de animais cujos tutores ficaram desabrigados pelas enchentes.
Lisandra Quinot (PP) convidou artesãos para um encontro regional e divulgou o Festival da Primavera, marcado para sábado (26), no Jardim Botânico.
Ana da Apama (PP) relatou a morte de um cachorro, vítima de um fio eletrificado instalado na divisa de um imóvel no Bairro Conventos. Também pediu atenção das autoridades para um idoso de 80 anos em situação de vulnerabilidade.
Troco Solidário
A Câmara aprovou ainda a criação do Programa Troco Solidário, de autoria de Marquinhos Schefer. A proposta permite que consumidores destinem valores de centavos do troco a entidades do município.
“É uma oportunidade para que esses recursos permaneçam no município e ajudem nossas entidades”, destacou Marquinhos.
Obras e orçamento
Entre os projetos aprovados está a abertura de R$ 242 mil em crédito suplementar para desapropriações necessárias à construção de uma rotatória no entroncamento das ruas Carlos Kronhardt e Pedro Teobaldo Breitenbach.
Também foi aprovado crédito de R$ 150 mil para reforçar recursos destinados ao pagamento de Requisições de Pequeno Valor (RPVs) de natureza cível.
A Câmara autorizou ainda a criação de uma vaga de técnico em enfermagem, recebeu a doação de uma área no Bairro Conventos para recuo viário e aprovou a permuta de terrenos entre o município e o Sindicato dos Trabalhadores Rurais.
LDO 2027 é adiada
A votação do projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2027 foi adiada após pedido de vista do vereador Waldir Blau (MDB). A matéria deverá retornar ao plenário na próxima semana.
A sessão, mais uma vez, mostrou uma Câmara voltada aos problemas que afetam diretamente a população: enchentes, moradia, água, mobilidade, estacionamento e serviços públicos. E, no discurso do presidente Néco Santos, ficou um recado que deverá ganhar espaço nos próximos debates: as cheias estão se repetindo e exigem respostas que vão além da emergência de cada novo evento.


