Programa da Languiru incentiva crianças e jovens a “adotarem” uma terneira e a transformarem numa futura vaca recordista de leite
“Posso até achar outro emprego, mas daqui eu não saio. Estarei realizada se esse for o meu futuro.” Ao ouvirmos isso da Eduarda Cristina Brixius (15), o coração se enche de orgulho, comprova que todo esforço pela sucessão familiar dá resultado. A jovem é uma das participantes do Clube da Terneira Languiru, categoria Juvenil, lançado em 2021 com o objetivo de despertar no associado produtor de leite a importância da fase de criação de terneiras e provocar a participação de jovens filhos de associados nas tarefas diárias visando o bem-estar animal, alimentação e manejo adequados.
A família Brixius reside em Linha Monte Alverne, Santa Cruz do Sul, e é associada desde 2008, com produção de leite. A inscrição no Programa veio a partir de convite do técnico que acompanha a propriedade. “Topei na hora. São muitos aprendizados, novas experiências, um estímulo para continuar na propriedade e poder melhorar a genética das novilhas”, justifica Eduarda, que está no 2º ano do Ensino Médio.
Companheirismo – Eduarda e a terneira Princesa, que tem esse nome em virtude de uma mancha na testa que seria a sua coroa, estão sempre juntas. A lida diária é acompanhada de perto pela mãe, Astéria (45). A propriedade participa há cinco anos do Programa de Melhoramento Genético da Languiru, e Princesa, da raça Holandesa, é fruto desse trabalho. Nasceu no dia 27 de outubro de 2021.
Eduarda acorda cedo e por volta das 6h já auxilia na ordenha das vacas. “Esquento o leite e dou para ela, para começar a fazer o desmame. Ainda uso ração Languiru específica para terneiras e ração que meus pais fazem, além de feno e pasto verde que eu mesma corto. Ela come tudo, é uma gulosa”, explica.
Resultado – As anotações que o Clube preconiza tem auxiliado a jovem nos controles. “É possível ver os resultados e o que está dando certo. A expectativa é que eu consiga levar a Princesa pro caminho certo, bater as metas propostas. Não sonho em ganhar o concurso, mas que ela seja a melhor vaca do tambo em alguns anos”, planeja.
Os pais valorizam tudo isso. “O Programa incentiva os jovens e crianças a ajudar, a participar das coisas. Com certeza motiva para a sucessão familiar das propriedades. O compromisso que a Duda tem com a Princesa é um grande estímulo”, orgulha-se Astéria, que sonha ver a filha como veterinária.
Um garotinho e sua Estrela
Jean Pietro Sulzbach Müller (11) gosta de uma boa conversa. Esperto e bastante comunicativo, planeja fazer uma faculdade, mas ainda não sabe ao certo em que área, embora seja firme em dizer que quer ficar na propriedade da família. Ele participa do Clube da Terneira na categoria Mirim e cuida com muito carinho da Estrela, da raça Holandesa, que nasceu em 17 de agosto de 2021. O nome faz referência a uma marca no rosto e, também, “porque ela é muito bonitinha”, como afirma Jean.
Residente em Linha Ano Bom, município de Colinas, ficou sabendo da iniciativa pelo rádio. “Eu escutei e disse que queria participar. Gostei da ideia pra aprender mais”, adianta o garotinho, que está no 6º ano do Ensino Fundamental.
O vô Simão Sulzbach (91) é associado da Languiru há 60 anos e o pai, Maurício Müller (54), desde 2007. A propriedade produz leite e frangos para a Languiru. Com a Estrela o “compromisso” diário de Jean ganhou cuidados especiais. “Sempre dou água, ração e um pouco de feno pra ela, levo pro cocho e também dou carinho. Ela vai ser minha vaca no futuro, quero que ela dê bastante leite como a mãe dela, tô fazendo a minha parte pra isso”, planeja.
Responsabilidade
A vó Olita (82) elogia o neto. “Ele não nega serviço, mesmo quando está na TV. Achei uma ideia muito boa, ficou mais responsável”, destaca, ao que Jean acrescenta: “me sinto mais responsável que o normal, tenho mais serviço, mas tô motivado, isso é muito legal”.
Sucessão – O presidente da Languiru, Dirceu Bayer, fala numa importante ferramenta para a sustentabilidade e sucessão das famílias no campo. “Acima de tudo, estimula os jovens a participarem das atividades, contribui para a formação de planteis cada vez mais produtivos, valoriza o processo de criação de terneiras e premia os melhores desempenhos.”
Em novembro ocorre a definição das campeãs. A avaliação considera a identificação da terneira (cadastro) e um checklist com anotações nas fichas entregues aos responsáveis (limpeza, dieta e registros fotográficos), avaliação do Ganho de Peso Diário (GPD), teste genômico, idade e peso do desmame, dieta fornecida nas diferentes fases e calendário sanitário. Para cada terneira inscrita, há um responsável adulto e a criança/jovem participante.

Texto: Leandro Augusto Hamester/divulgação



