Lajeado – A convivência entre diferentes gerações no ambiente corporativo foi o tema do café da manhã promovido nesta terça-feira (14) pelo Fórum da Mulher Empresária (FME) da Associação Comercial e Industrial de Lajeado (Acil). A programação reuniu cerca de 60 participantes e contou com palestras da gestora de Recursos Humanos da Plastrela Embalagens Flexíveis, Cintia Schmidt, e da business partner de RH da Docile, Viviane Lagemann.
Durante o encontro, as especialistas compartilharam reflexões e estratégias sobre como gestores podem identificar, valorizar e integrar as competências de cada geração no ambiente corporativo. Segundo elas, ao compreender e respeitar as particularidades de cada perfil, é possível construir equipes mais comprometidas, engajadas e resilientes.
No início da programação, Cintia destacou que, pela primeira vez na história, quatro gerações convivem simultaneamente no ambiente de trabalho, cada uma moldada por contextos históricos, econômicos e tecnológicos distintos. De acordo com a gestora, esse cenário traz desafios importantes para as organizações, como diferentes percepções sobre autoridade e hierarquia, além de expectativas variadas em relação a feedback e reconhecimento.
A especialista também ressaltou que compreender os perfis geracionais é o primeiro passo para uma gestão mais inclusiva. Enquanto profissionais mais experientes tendem a valorizar estabilidade, hierarquia e processos estruturados, as gerações mais recentes priorizam propósito, flexibilidade, colaboração e agilidade nas interações. “Esse cenário impõe desafios, mas também abre oportunidades para que as empresas promovam uma gestão mais inclusiva, capaz de integrar diferentes perfis e potencializar resultados por meio da diversidade de perspectivas”, afirmou.
Ainda segundo Cintia, uma das ferramentas que pode auxiliar nesse processo é a chamada “ponte geracional”, metodologia que ajuda gestores a identificar pontos de atrito e construir conexões entre diferentes perfis. “Com um roteiro claro e facilitação adequada, é possível implementar o processo em ciclos de 60 a 90 dias, gerando resultados mensuráveis e sustentáveis nas organizações”, explicou.
Na sequência, Viviane destacou que, ao ingressarem nas empresas, profissionais de diferentes gerações não levam apenas suas competências, mas também expectativas distintas sobre o trabalho. “São diversos perfis convivendo no mesmo ambiente. Há pessoas que aprenderam que falar é desrespeito, enquanto outras entendem que não falar é falta de transparência”, observou.
Como forma de apoiar líderes na condução de conversas desafiadoras com diferentes perfis de profissionais, Viviane apresentou o modelo SCIP (Situação, Comportamento, Impacto e Pergunta), que propõe uma abordagem estruturada e objetiva. A metodologia orienta a contextualização da situação, a descrição do comportamento sem julgamentos, a explicitação do impacto gerado e, por fim, a construção conjunta de soluções por meio de perguntas que estimulem ajustes e melhorias com a equipe.
No encerramento do evento as palestrantes falaram que, mais do que um desafio, a convivência entre diferentes gerações representa uma oportunidade estratégica para as organizações. “Ao investir em diálogo, compreensão e ferramentas de gestão adequadas, as empresas podem transformar a diversidade geracional em um diferencial competitivo, capaz de impulsionar resultados e fortalecer a cultura organizacional”, finalizaram.

(Lucas Santos)



