Sensibilizam-se os espíritos ao serem lembrados no dia de finados, pelos que lhes foram caros na vida terrena. Se são felizes, esse fato lhes aumenta a felicidade. Se são desgraçados, servem-lhes como consolação. Os espíritos acodem ao chamado dos que da terra, lhes dirigem seus pensamentos, como o fazem noutro dia qualquer. Nessa data, em especial, se reúnem em maior número nas necrópoles, porque então também é maior, em tais lugares, o das pessoas que os chamam pelo pensamento. Porém, cada espírito vai lá somente pelos seus amigos e não pela multidão dos indiferentes. Se pudessem tornar-se visíveis, os veríamos sob a forma que tinham quando encarnados. Não se deve considerar futilidade a reunião dos membros de uma família no dia de finados. É um costume piedoso e um testemunho de simpatia que dão os que assim procedem aos que lhes foram entes queridos. Conquanto destituída de importância para os espíritos, essa reunião é útil aos homens: mais concentradas se tornam suas recordações.
Aquele que visita um túmulo apenas manifesta por essa forma, que pensa no espírito ausente. A visita é a representação exterior de um fato íntimo; a prece é que santifica o ato da rememoração. Nada importa o lugar, desde que é feita com o coração.
A prece, bem o sabemos, é uma evocação que atrai os espíritos. Tanto maior ação terá, quanto mais fervorosa e sincera for. O que atua sobre o espírito é sempre o pensamento e não os objetos materiais.
Não há preferência dos espíritos em frequentar os túmulos onde repousam seus corpos. O corpo passa a ser visto como uma vestimenta inútil e desgastada, do mesmo modo que o prisioneiro nenhuma atração sente pelas correntes que o prendem, e o faz sofrer, a lembrança das pessoas que lhes são caras é a única coisa que lhes tem valor.
As condições dos espíritos e as maneiras como veem as coisas variam ao infinito, de conformidade com os graus de desenvolvimento moral e intelectual em que se achem; geralmente os espíritos de origem elevada só por breve tempo se aproximam da terra. Tudo o que aí se faz é tão mesquinho em comparação com as grandezas do infinito, tão pueris são, aos olhos deles, que quase nenhum atrativo lhes oferece o nosso mundo, a menos que para aí os leve o propósito de colaborarem para o progresso da humanidade. Quando já ascendeu a certo grau de perfeição, o espírito se acha escoimado de vaidades terrenas e compreende a futilidade das honras que lhe prestem aos despojos mortais. Os espíritos de ordem intermediária, e os espíritos vulgares, são os que mais frequentemente baixam a este planeta, são os que aqui mais se comprazem e constituem a massa da população invisível do globo terráqueo. Conservam quase que as mesmas ideias, os mesmos gostos e as mesmas inclinações que tinham quando revestidos do invólucro corpóreo.
Nossos amigos da esfera carnal são ainda muito ignorantes para o trato com a morte. Ao invés de comparecerem às cerimônias fúnebres, com pensamentos amigos e reconfortadores, preces de auxílio e vibrações fraternais, aproveitam a ocasião para atirarem aos recém-desencarnados as pedras e os espinhos que deixaram nas estradas percorridas. Devemos apreender que as câmaras mortuárias não devem ser pontos de referência à vida social, mas recintos consagrados à oração e ao silêncio.
O instintivo respeito que, em todos os tempos entre todos os povos, o homem consagrou e consagra aos mortos é efeito da intuição que tem da vida futura. É a consequência natural dessa intuição. Se assim não fosse, nenhuma razão de ser teria esse respeito.
Atravessando o grande portal do túmulo, o homem deseducado prossegue reclamando aprimoramento.
A criatura viciada continua exigindo satisfação aos baixos apetites. O cérebro desvairado, entre indagações descabidas, não foge, de imediato, ao poço de obscuridades em que se submergiu. Mas, a alma de boa-vontade, encontra mil recursos para adiantar-se na senda evolutiva, amparando o próximo e descobrindo na felicidade dos outros a própria felicidade.
Texto baseado no Livro dos Espíritos, Cap. VI – Da Vida Espírita.
FIQUEM COM DEUS!



