Os tipos de violência contra mulher e ações as para combate-las foram pauta do café da manhã que o Fórum da Mulher Empresária (FME) da Associação Comercial e Industrial de Lajeado (Acil) promoveu nesta terça-feira (15). O assunto foi abordado pela coordenadora da vigilância epidemiológica de Lajeado, Juliana Demarchi, pela delegada da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) de Lajeado, Márcia Bernini Colembergue, e pela advogada trabalhista empresarial e integrante do FME, Rocheli Künzel.
A programação foi alusiva ao agosto lilás, mês que, em todo o país, são realizadas ações com objetivo de conscientizar a população e pôr fim à violência contra a mulher. Além de trazer informações sobre as maiores ocorrências registradas no Estado, as palestrantes apresentaram, para cerca de 70 participantes, ações de conscientização para minimizar os casos que são registrados no Estado.
Números
No início da exposição, Juliana trouxe dados da violência em Lajeado. De acordo com a coordenadora da vigilância epidemiológica do município em 2022 houveram 946 notificações no município. “Este número contempla denúncias de 740 mulheres que buscaram auxílio”, explicou. Segundo a profissional, é importante que em qualquer caso de ameaça, a vítima busque auxílio. “Nós percebemos um aumento nos números sempre nos períodos de março, agosto e outubro, que são meses que contam com ações que evidenciam o cuidado à mulher. É importante que elas se sintam encorajadas a denunciar episódios de violência a todo o momento, e não só nesses momentos”, completou.
A titular do Deam abordou os dados de feminicídio registrados no RS em 2022 e até este período de 2023. Segundo Márcia, somente neste ano já foram registrados quase 200 casos no Estado. “Deste número, 53 foram feminicídio consumados e os outros 145 tentados”, informou. De acordo com a delegada, grande parte das ocorrências envolve vítimas que não tinham medida protetiva contra o agressor. “Em 83% das ocorrências o agressor é o companheiro ex-companheiro ou familiar da vítima. Essas agressões geralmente acontecem dentro da própria casa”, alertou.
Na exposição, a delegada reforçou a importância da denúncia para minimizar o número de ocorrências no Estado. Além da Polícia Civil, a cidade de Lajeado conta com uma Delegacia da Mulher e o auxílio também pode ser solicitado nos serviços de saúde, serviço social, Centro de Referência ao Atendimento à Mulher e Rede de violência contra a mulher.
Violência
No encerramento da programação Rocheli explicou as diferentes formas de violência que podem ser sofridas. “A violência não está somente na agressão física. Existe também a violência psicológica, sexual, patrimonial e moral”, explicou. Para a advogada, muitas dessas agressões trazem consequências psíquicas, sociais e profissionais à vítima. “Por isso é importante analisar cada caso e buscar ajuda, seja com a família ou com os órgãos de segurança”, reforçou. Segundo Rocheli, é importante promover ações que evidenciem a mulher o apoio e o encorajamento. “É preciso quebrar paradigmas e adotar medidas mais efetivas no combate a todo o tipo de violência”, encerrou.

(João Vitor Brandão)


