Realizada a 1ª Conferência Municipal de Povo de Terreiro de Lajeado

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A Associação Atlética Municipal recebeu, nesta quinta-feira, dia 27/04, a 1ª Conferência Municipal de Povos de Terreiro de Lajeado, organizada pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (SMDS) de Lajeado. Com o tema “Direitos Humanos, Democracia e Descolonização: Contribuições da Tradição de Matriz Africana Afro-Umbandista, desdobrando os respectivos eixos temáticos”, a conferência foi realizada como etapa preparatória para a 2ª Conferência Estadual de Povos de Terreiro, agendada para os dias 01 e 02 de julho de 2023, em Porto Alegre.

 

Responsável pela palestra de abertura da conferência, o publicitário Gilberto Soares discorreu sobre sua trajetória pessoal enquanto alternava sua fala sobre aspectos históricos que marcaram os povos afrodescendentes. Acerca da escravidão, mencionou que em 1455, a Igreja Católica Apostólica Romana, através do papa Nicolau V, concedeu a Portugal o direito de escravizar praticamente todos os povos africanos, do Marrocos até a Índia. “E eles nunca reconheceram e se desculparam por isto”, bradou Soares. Mencionou, também, que na travessia do oceano atlântico, cerca de 10% dos africanos pereceram, e acabaram virando comida de tubarão, motivo pelo qual os tubarões africanos chegaram até a costa brasileira. Além disso, discorreu sobre o marinheiro Joâo Cândido, também conhecido como Almirante Negro que liderou a Revolta da Chibata, uma rebelião militar ocorrida no Rio de Janeiro, em 1910, resultado do descontentamento de marinheiros afro-brasileiros que, após a abolição da escravatura no Brasil, não aceitavam mais serem açoitados por oficiais navais brancos como forma de punição por erros ou insubordinação.

 

“Não se faz um evento como este sem a ajuda de muitas pessoas. Foi um grande desafio realizar esta primeira conferência de Povo de Terreiro e quero agradecer a todos que estão aqui, participando, e que contribuíram para ele acontecer”, afirmou a secretária de Desenvolvimento Social de Lajeado, Céci Maria Rodrigues Gerlach. Em seu pronunciamento, a proprietária do Templo Africano Reino de Oxum em Lajeado, senhora Mãe Heloísa de Oxum, afirmou ser uma satisfação participar de um evento que discute propostas e políticas públicas para o povo afrodescendente.

 

Já o presidente do Conselho do Povo de Terreiro do Estado do Rio Grande do Sul, Coordenador Nacional da Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde (Renafro Saúde), Valmir Ferreira Martins, o Baba Diba, elogiou a postura de Lajeado em aceitar o desafio de realizar uma conferência municipal de povo de terreiro. Segundo ele, Lajeado é inclusiva e anti-racista. “Existe um preconceito quando se fala em povo de terreiro. Geralmente, as pessoas logo pensam em macumba e em galinha preta. Vocês estão rindo, mas é verdade. É importante frisar que todo terreiro é um microterritório da África”, afirmou Baba Diba, ressaltando que racismo não é preconceito, mas sim, política estruturante contra os povos pretos. Segundo ele, a conferência ainda é território novo para os povos afrodescendentes enquanto espaço de discussão de políticas públicas.

Também presente, o sub-procurador geral da Prefeitura de Lajeado, Henrique Reali, afirmou que a conferência é um evento que ajuda a desmistificar as más impressões que muitos possuem acerca destes espaços, chamados terreiros, que são ricos em cultura e religião.

Após as deliberações que abordaram e discutiram propostas a serem levadas para a conferência estadual, foram eleitos os delegados titulares e suplentes que as defenderão. Como titulares, foram eleitos Camila Silva Marques e Daniele Pimentel. Como suplentes, foram eleitos Rosana Andina Gonçalves e Paulo Renato Narciso.

Crédito: Rafael Grün
Foto: Leandro Cíceri

 

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